“Amar,
além de muitas outras coisas, quer dizer deleitar-se na contemplação
e na observação da pessoa amada”, sopra o velho escritor Alberto
Moravia.
Uma
das melhores coisas da vida é observar a pessoa amada que
dorme,entregue, para além dos pesadelos diários.
um
homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora
invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o
primeiro carinho de que desperta.
Ora,
experimente garota, vê-lo dormindo como um Garfield lesado e
alasanhado.
Cada
mexidinha, cada gesto. O que sonha nesse exato momento? Tomara que
seja comigo, você pensa, pois o amor também é egoísmo.
Gaste
pelo menos meia hora por semana nesse privilegiado observatório.
Psiuuuuu!
Ela
dorme.
Mãozinha
no ar, como se apanhasse pássaros, que coisa mais linda. Uns 23
minutos assim, mirei no rádio-relógio. A mão desce ao colchão,
quase dormente, formigamentos. Coça o nariz. Põe a mãozinha
direita entre as coxas.
Agora
vira de lado, como os antigos LPs quando gastavam as seis músicas do
lado A. E me abraça como nunca fosse partir, corpos viciados, almas
em busca de um acerto.
Dorme,
meu anjo.
Ela
obedece.
Vigio
o sono dela como um soldado zapatista na selva escura.
Como
um cão zela o sangue do dono.
Como
se fosse um homem-exército e pronto.
Observar
o sono da amada é a melhor maneira de mapear a sua beleza.

Nenhum comentário:
Postar um comentário